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CAPITAL INICIAL "Ao Vivo" - 1996
FÁTIMA
(Flávio Lemos & Renato Russo)
Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
E se começa um dia acaba eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de nêutrons não foi Deus quem fez
Alguém,alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz
Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou
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O PASSAGEIRO
(Letra: Iggy Pop / Música: Rick Gardiner / Versão: Dinho & Bozzo Barretti)
Eu sou passageiro
Eu rodo sem parar
Eu rodo pelos subúrbios escuros
Eu vejo estrelas saírem no céu
É o claro e o vazio do céu
Mas essa noite tudo soa tão bem
Entre no meu carro
Nós vamos rodar
Seremos passageiros à noite
Veremos a cidade em trapos
E veremos o vazio do céu
Sobre os cacos dos subúrbios daqui
Mas essa noite tudo soa
Tão bem
Cantando
La La La La La La La La
La La La La La La La La
La La La La La La La La
Olhe o passageiro
Como, como ele roda
Olhe o passageiro
Roda sem parar
Ele olha pela janela
E o que ele vê?
Ele vê sinais no céu
Ele vê as estrelas que saem
Ele vê a cidade em trapos
Ele vê o caminho do mar
Tudo isso foi feito pra mim e você
Tudo isso foi feito pra mim e você
Simplesmente pertence a mim e você
Então vamos rodar e ver o que é meu
Cantando
La La La La La La La La
La La La La La La La La
Olhe o passageiro
Que roda sem parar
Ele está seguro ali
Conhece o mundo pelo vidro do carro
Vê isso tudo e sabe que é seu
Ele vê o vazio do céu
Ele vê cada estrela sair
Ele vê a cidade dormir
E tudo isso é meu e seu
E tudo isso é meu e seu
Então vamos rodar e rodar e rodar e rodar
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MICKEY MOUSE EM MOSCOU
(Alvin L., Dinho, Loro Jones & Bozo Barretti)
Eu vejo eles dançando
Em cima do muro
No meio do mundo
No meio do mundo dividido
Spielberg Einstein
Vodka C.I.A.
Las Vegas Kremlin
Tolstoi John Wayne
Champagne + Caviar
Mickey Mouse em Moscou
Batman e Trotsky
Bolshoi + Rock'n Roll
Quem são estes homens
Que vivem atrás da cortina
Quem são estes homens
Ninguém mais vai jogar
Flores mortas no muro
Ninguém mais vai pichar
Frases fortes no escuro
Em cima do muro
No meio do mundo
No meio do mundo dividido
Spielberg...
Um raio atravessa a nação
E cem anos passam num dia
Eu nunca pensei que fosse ver
Eu nunca pensei que fosse ver
Ninguém mais vai jogar
Flores mortas no muro
Ninguém mais vai pichar
Palavras fortes no escuro
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PODRES PODERES
(Caetano Veloso & Warner Chappell)
Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Nós somos uns boçais
Queria querer cantar setecentas mil vezes
Como são lindos como são lindos os burgueses
E os japoneses, mas tudo é muito mais
Será que nunca faremos se não confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos
Será, será que será, que será, que será
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais mil (zil) anos
Enquanto seus homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes fazem o carnaval
Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe, num êxtase
Ser indecente, mas tudo é muito mau
Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons, os mil tons seus tons e seus dons geniais
Nos salvam nos salvarão destas trevas e nada mais
Enquanto os homens exercem seus podres
Morrer e matar de fome, de raiva, de sede
São tantas vezes gestos naturais
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo tins e bens e tais
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FOGO
(Dinho & Bozzo Barretti)
Você é tão acostumada
a sempre ter razão
você é tão articulada
quando fala não pede atenção
o poder de dominar é tentador
eu já não sinto nada
sou todo torpor
é tão certo quanto o calor do fogo
é tão certo quanto o calor do fogo
já não tenho escolha
participo do seu jogo
participo do seu jogo
Não consigo dizer
se é bom ou mau
assim como o ar
me parece vital
onde quer que eu vá
o que quer que eu faça
sem você, não tem graça
Você sempre surpreende
e eu tento entender
você nunca se arrepende
você gosta sente até prazer
mas se você me perguntar
eu digo sim
eu continuo porque a chuva
não cai só sobre mim
vejo os outros
todos estão tentando
é tão certo quanto o calor do fogo
é tão certo quanto o calor do fogo
já não tenho escolha
participo do seu jogo
participo do seu jogo
Não consigo dizer
se é bom ou mau
assim como o ar
me parece vital
onde quer que eu vá
o que quer que eu faça
sem você, não tem graça
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BELOS & MALDITOS
(Alvin L., Renato Russo, Dinho, Loro Jones & Bozo Barretti)
Belos e malditos
Feitos para o prazer
Os últimos a sair
Os primeiros a morrer
Belos e malditos
Eles ou ninguém
De carne quase sempre
São anjos para alguém
Suave é
Suave é
A noite é
De bar em bar
Belos e malditos
Culpados por viver
Num mundo feito de tédio
Cego para o poder
Belos e malditos
Drama e carnaval
O lado escuro do paraíso
O bem que vem do mal
Suave é
Suave é
A noite é
De bar em bar
Eles brincam com fogo
Sabem queimar
Suave é
Suave é
A noite é
De bar em bar
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AUTORIDADES
(Fê Lemos, Flávio Lemos, Dinho, Loro Jones & Bozo Barretti)
Vou denunciar autoridades incompetentes
Eu quero antes te dizer
Ninguém sabe o que pode te acontecer
Vou denunciar autoridades incompetentes
Ameaça aos privilégios
Você será detido encostado na parede
É a ordem no progresso
Um jogo imoral
Que não mede conseqüências
Autoridades incompetentes
Acham que vocês não passam de fantoches
Bonecos para brincar
Autoridades incompetentes
Sabem que vocês estão em fila
A fila não incomoda
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PROJETOS ENGAVETADOS
(Fê Lemos, Loro Jones & Flávio Lemos)
Projetos engavetados
São decisões congeladas
De pessoas decididas
Que se acham poderosas
E querem vê-los
Implementados
Qualquer dia implantados
No plexo do planalto
Em pleno vigor
Ocupando todo o espaço
Que julgar conveniente
Mesmo que desnecessário
A sub-comissão que debate
A regulamentação
Do ante-projeto
Carece de gabarito
Por ignorar a legislação
Suspendem a sessão
Retornam aos gabinetes
Consulta os assessores
Sobre as regras de conduta
Do protocolo de otimização
Do projeto engavetado
Qualquer dia implantado
No plexo do planalto
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TODAS AS NOITES
(Alvin L, Bozzo Barretti & Dinho)
Todas as noites são iguais
Os meninos satisfeitos
E as meninas querem mais
Sonhos caem como chuva
Nada é verdade
É só por mera diversão
Hoje a noite tudo pode acontecer
Quem olhar nos olhos
Vê bares e sedução
Num canto escuro
Pequenos goles de solidão
A noite esclarece o que o dia escondeu
Meia noite noite inteira
3, 4, 5 da manhã
Eu vou embora mas eu
Sempre volto atrás
Porque as noites são todas iguais
Todas as noites são iguais
De longe os disfarces
Parecem reais
Mãos me vestem como luva
É tarde demais
E eu não consigo dizer não
Hoje a noite é cedo até amanhecer
Quem olhar nos olhos
Vê estrelas no chão
Num canto escuro
Pequenos goles de solidão
A noite esclarece o que o dia escondeu
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MÚSICA URBANA
(Flávio Lemos, Felipe Lemos, Renato Russo & André Pretórius)
Contra todos e contra ninguém
O vento quase sempre nunca tanto diz
Estou só esperando o que vai acontecer
Tenho pedras nos sapatos
Onde os carros estão estacionados
Andando por ruas quase escuras
Os carros passam
As ruas tem cheiro de gasolina e óleo diesel
Por toda a plataforma, toda plataforma, toda plataforma
Você não vê a torre
Tudo errado mas tudo bem
Tudo quase sempre como eu sempre quis
Sai da minha frente que agora eu quero ver
Não me importam os seus atos
Eu não sou mais um desesperado
Se ando por ruas quase escuras
As ruas passam
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JIBÓIA'S BAR
(Murilo Lima & RB Music Edições)
Estou aqui no Jibóia's Bar
Pensando se algum dia ela vai voltar pra mim
Se ela me ama ou se vai me amar
Eu estou esperando aqui
No Jibóia's Bar
Roberto por favor
Me traz mais um licor,
Cerveja, wisky ou vodka
Ou qualquer bebida alcoólica aqui
No Jibóia's Bar
Se ela me ama ou se vai me amar
Eu estou esperando aqui
No Jibóia's Bar
O dia é de chuva
E a gente toma todas aqui
Não sei se é filial do inferno
Ou do Juquiri
A gente veio para "esguaguaçar"
Estamos aqui
No Jibóia's Bar
O clube aqui "tá mal"
Eu vou pra marginal
Roberto põe na conta
Porque eu vou matar uma ponta ali
No Jibóia's Bar
Se ela me ama ou se vai me amar
Eu não estou nem aí
No Jibóia's Bar
Jibóia's Bar, Jibóia's Bar
Se ela me ama ou se vai me amar
Eu não "tô" nem aí
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KAMIKAZE
(Alvin L., Fê Lemos, Dinho, Loro Jones & Bozzo Barretti)
Você não me deixa respirar
Você é tudo o que eu não posso ter
Você me deixa sem ar
E eu sei que é só mais um truque
Tentando acertar
Tentando acertar
Onde quer que machuque
Kamikaze como quase sempre
Eu mudo de idéia
Sem você perceber
As armas que eu tenho
As armas que eu quero ter
As armas que eu uso
Só ferem você
Você não me deixa respirar
Mesmo longe de mim
Me olha de frente
Por onde eu ando você já passou
O que eu busco você já achou
Kamikaze como quase sempre
Eu mudo de idéia
Sem você perceber
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LEVE DESESPERO
(Fê Lemos, Flávio Lemos, Loro Jones & Dinho)
Não consigo mais me concentrar
Vou tentar alguma coisa para melhorar
É importante todos me dizem
Nada acontece como eu queria
Estou perdido sei que estou
Cego para assuntos banais
Problemas do cotidiano
Eu já não sei como resolver
Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Então é outra noite no bar
Um copo atrás do outro
Procuro trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro
Não consigo mais me concentrar
Vou tentar alguma coisa para melhorar
Já estou vendo TV como companhia
Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
Talvez se você entendesse
O que está acontecendo poderia me explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Já estou vendo TV como companhia
Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui
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INDEPENDÊNCIA
(Fê Lemos, Flávio Lemos, Dinho, Loro Jones & Bozo Barretti)
Toda essa curiosidade
Que você tem pelo que eu faço
Eu não gosto de me explicar
Toda essa intensidade
Buscamos identidade
Nós não sabemos explicar
Se paro e me pergunto
Será que existe alguma razão
Prá viver assim
Se não estamos de verdade juntos
Procuramos independência
Acreditamos na distância entre nós
Toda essa meia-verdade
A qual temos nos conformado
Só conseguimos nos afastar
Nós aprendemos a aceitar
Tantas coisas pela metade como essa imensa vontade
Que não sabemos explicar
Que não sabemos saciar
Se paro e me pergunto
Será que existe alguma razão
Pra viver assim
Se não estamos de verdade juntos
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VERANEIO VASCAÍNA
(Flávio Lemos & Renato Russo)
Cuidado pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, e dentro dois ou três tarados
Assassinos armados e uniformizados
Veraneio Vascaína vem dobrando a esquina
Porque pobre quando nasce com instinto assassino
Sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ladrão para roubar ou marginal para matar
"Papai, eu quero ser policial quando eu crescer"
Se eles vêm com fogo em cima é melhor sair da frente
tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
E não vai ter problema,eu sei, estou do lado da lei
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SERÁ QUE É AMOR?
(Murilo Lima & RB Music Edições)
Tanto tempo faz que a gente não se via
A saudade me enganou e deu lugar à nostalgia
E já não me interessa onde estivemos sem saber
Sobrou em pensamento o desejo de te ter
Os nossos passos finalmente se encontraram
Os seus olhos ainda tentam se enganar
Os nossos elos estão presos amarrados
E a gente insiste em tentar não entender
Não será que é amor
Não será que é amor
Que a gente sente?
E agora um passado que insiste em ser presente
Me lembra que esqueci de como é bom te ver
Faz estar em nós tudo aquilo que é distante
Meu olhar, o teu perfume, o teu gosto e o meu sangue
Os nossos corpos finalmente se encontraram
Mas nem sempre um corpo é objeto do amor
A não ser que ele se explique uma emoção
O medo de perder ou a incerteza de encontrar
Não sei que é amor
Não será que é amor
Que a gente sente?
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A MANHÃ
(Murilo Lima, Fábio Rossi & RB Music Edições)
Acorda, a manhã nos brinda com a sua última hora
Os sonho redobram os desejos
Tuas mãos delicadas redefinem os teus seios
E o sol sabe lá, emfim se lembrará de nós
A distância é boa, nossas bocas ficam mudar
E um beijo nos lança, pro silêncio de tantas outras
Teu sorriso é senão uma foto desfocada
Que nos lembra um instante que não somos
Acorda a manhã é longa e nos divide em dois
Tua mãos pequenas tocam minha ausência
É impossível a direção das ruas sem entender nossos passos
Já não há com quem lutar, se o mar não nos alcança
E a hora tenta o passado
A distância é boa, nossas bocas ficam mudas
E um beijo nos lança, pro silêncio de tantas outras
Teu sorriso é senão uma foto desfocada
Que nos lembra um instante que não somos
Acorda a manhã é longa e nos divide em dois
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