Criticas




Capital Inicial (1986) 

CAPITAL INICIAL ( Polygram)

Vitimada pela incompetência das gravadoras, essa é úLtima das " velhas" bandas de Brasília a chegar ao álbum próprio. Das três (as outras são a Legião e Plebe Rude). Capital sempre foi a mais eclética.
Uma qualidade e um defeito: a banda não se repete, mas as vezes soa despersonalizada. 
A produção de Bozzo Barretti curiosamente reforça esta característica, com os arranjos de metais e teclados variando do oportuno ao inoportuno com muito facilidade. Assim as boas faixas como "No Cinema", "Psicopata", a censurada "Veraneio Vascaína" e " Música Urbana" parecem perdidas entre as outras, indistintas, e uma música bonita como "Fátima" sucumbe ao arranjo e aos vocais exagerados.

Revista BIZZ ed.14 Set. 1986

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Independência (1987) 
INDEPENDÊNCIA - Capital Inicial (Polygram)

Uma frágil embarcação flutuando a mercê das turbulentas águas da mudança... A bordo o agora quinteto Capital Inicial oscila ao sabor das ondas, ora impulsionado pela correnteza tépida do funk, ora entregue a intensidade do empuxo cool que já os envolvera no LP de estréia. O vaivém desse oceano sonoro
não induz imediatamente ao enjôo, contudo mesmo os momentos mais interessantes que surgem de tal turbilhão parecem dirigidos apenas à metade inferior do corpo. É o caso de "Espelho no Elevador" e "Vem Bater no meu Tambor", eficazes como apelo até a pista de dança, mas que enquanto texto, pecam pela negligência, poesia no limiar da apoplexia.
Do resto a fusão soa frustrada, resultado talvez da pressa em responder ao presunçoso vaticínio de alguns setores da mídia.
Outra explicação plausível das composições pode ser o fato de a produção não ter ocupado o leme criativo dessa empreitada, preferindo se ater aos aspectos propriamente técnicos da gravação. Alguns arranjos mostram-se até surpreendentes com em "Porque Nós", que se desenvolve de forma cinética e estimulante. Porém são incapazes de prender o interesse por muito tempo.
Independência, tem assim seus méritos, porém lhe falta sangue, chama, algo mais. O brado acabou ressoando com convicção. Inexoráveis os grilhões persistem.

A.G.C.D. Revista BIZZ - Nov.1987 

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Você Não Precisa Entender (1988) 

VOCÊ NÃO PRECISA ENTENDER --Capital Inicial (Polygram)
O que havia sido insinuado no disco anterior, tornou-se agora uma radical constatação: o tecnofunk do Capital é de uma indigência à toda prova, só fazendo dançar possíveis mortos-vivos de uma danceteria de filme de terror. É mais do que sabido que nove entre dez brancos não possuem o feeling necessário para fazer um bom funk (isto sem nenhuma conotação racista, muito pelo contrário). O Capital não foge à regra, apesar da boa produção deste terceiro LP onde "destacam-se" os teclados brochantes e os metais mal utilizados, a pobreza das letras (até "Ficção Científica, de Renato Russo perdeu sua força no arranjo do grupo) as interpretações chorosas e afetadas de Dinho.
É não dá pra entender mesmo.

H.B - Revista BIZZ - 1988

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Todos os Lados (1989) 

TODOS OS LADOS - Capital Inicial (Polydor/Polygram)
Não, não se pode negar que o Capital Inicial venha se empenhando na correção de seus pontos fracos.
Prova disso é esse Todos Os Lados, em que, por exemplo, a voz ocasionalmente semitonada de Dinho e as letras tiveram atenção especial. Infelizmente, tais reparos não funcionaram como um todo e não sanam aquele que é o maior problema do grupo: a falta de identidade sonora.
Nesse sentido vale ouvir "Vênus em Pedaços" e "Mickey Mouse em Moscou", nas quais Bozzo Barretti & Cia vampirizam sem pruridos arranjos e timbres "titânicos". Pior do que isso só mesmo a infeliz revisão para "2001" (dos Mutantes, que fecha assim um álbum fraco ainda que bem-intencionado.

A.G.C.D - Revista BIZZ Abril.1990

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Eletricidade (1991) 

CAPITAL INICIAL
Eletricidade
(RCA/BMG-Ariola)
Entra ano , sai ano e o Capital continua aí, lançando seus discos, emplacando um hitzinho de vez em quando...e nada muda. É verdade que, aqui, eles estão um pouco mais ousados do que de costume. Numa tentativa de de fusão entre o metal e a dance, usam samplers, misturam batidas e guitarras, citam até frases da disco. Mas para que tudo isso funcionasse, seria preciso que o grupo demonstrasse um pouquinho de talento - coisa que eles, definitivamente, nunca tiveram.

M.A.G - Revista BIZZ - 1991

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Rua 47 (1994) 

CAPITAL INICIAL - Depois da defecção do cantor Dinho - chega com novo vocalista, Murilo Lima (ex-Rúcula). Em Rua 47, primeiro lançamento pelo selo independente dos rapazes, Qualé Cumpadi? o grupo parece ter abandonado as raízes punks brasilienses para se espelhar o grunge com tiques de metal ( a faixa-título lembra Black Sabbath meio marretado). Um detalhe o CD vem em uma latinha de metal idêntica ao do álbum Metalbox, do PIL. Pode ser um bom invólucro para o disco ou mesmo para outras coisas-uma língua ferina soprou por aqui que podia ser para "exame de fezes".

Ano 10 - nº 9 Edição 110 - Set.1994 Revista BIZZ

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Capital Inicial "Ao Vivo" (1996) 

CAPITAL INICIAL AO VIVO
(RB Music)
O ex- vocalista Dinho, lançou um disco solo pela Rock it! de Dado Villa Lobos, mas todos devem ter perguntado: "E o Capital?" O grupo continua ativo, ainda que reduzido a um quarteto. Seu disco de estúdio sem Dinho não aconteceu, mas eles não desistiram. Gravaram um disco ao vivo e soltaram pela Rede Brasil - gravadora de lojistas, trazendo nada menos que 17 faixas. OS sucessos do grupo foram revisitados - Música Urbana, Leve Desespero, Independência e Fátima-, além de interessantes versões de Podres Poderes (Caetano Veloso) e O PAssageiro (Iggy Pop) terem sido registradas.

Nota de Jornal (sem identificação)

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Atrás dos Olhos (1998) 

CAPITAL INICIAL
Atrás dos Olhos
Excelente/Abril Music
Veteranos de Brasília em volta triunfal
Parece que a retomada da formação original da banda fez o Capital Inicial rejuvenescer. O novo álbum soa como legítimo exemplar do "rock de Brasília", como o frescor juvenil que Legião Urbana, Plebe Rude e o próprio Capital mostravam na segunda metade dos anos 80.
A faixa que abre o CD, "1999", é rock básico com letra esperta. Mas já na segunda canção "O Mundo"
(escrita por Pit Passarell, do grupo de heavy metal paulistano Viper), a banda dissipa qualquer chance de ter feito um disco retrô.
O Capital fez um álbum moderno: dançante sem cair nas armadilhas fáceis da cartilha tecno, roqueiro sem apelar para a nostalgia. A frutífera união do vocalista Dinho Ouro Preto com o carioca Alvin L. (ex- Sex Beatles), agora em carreira solo) produziu pérolas como "Hotel Jean Genet" e a baladona "Terceiro Mundo Digital". Com esse álbum o Capital ganha força para virar o século fazendo bom rock´n roll.

Thales de Menezes - Revista Showbizz 1998 - Nota 8

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Atrás dos Olhos (1998) 
CAPITAL INICIAL
Atrás dos Olhos
Excelente/Abril Music

O Capital Inicial sobrevivente do Rock (Candango) Brasileira dos anos 80, o quarteto Brasiliense prossegue em evolução. Sem rupturas estilísticas, como Biquíni Cavadão, Titãs, Paralamas , o Capital Inicial vai depurando sua fórmula Pop - Rock. Dinho Ouro-Preto, canta melhor do que nunca, e o álbum tem faixas de fino artesanato musical. O Capital Inicial consegue usar bem elementos de M.P.B sem deixar de soar como banda de Rock. A música Terceiro Mundo Digital é dessas canções que grudam no ouvido. As letras bem Rock ‘n Roll, mas sem os adolescentes de outras bandas, vítimas de patrulhamento ideológico de boa parte da crítica; Fê, Loro, Flávio e Dinho dão à cara para bater com um som maduro. 
Cajú!!! 

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Acústico MTV (2000) 

"Capital Inicial grava programa e disco desplugados"

E a MTV continua investindo nos acústicos... No dia 21 de março foi gravado o 12º acústico da filial brasileira de Music Television. No palco Capital Inicial. Emoldurados pelo cenário futurista armado no pequeno Teatro Mars em São Paulo, 
Dinho (voz), Loro Jones (violão), Fê (bateria) e Flávio (baixo) contaram com a força de Marcelo Sussekind (violão) - que também produziu o show, e de Kiko "quem-é-vivo-sempre-aparece" Zambianchi (violão). No repertório eternos sucessos capitalísticos como Independência, Belos & Malditos, Kamikase e Música Urbana, além das saudosas Leve Desespero, Veraneio Vascaína e Fátima ( as duas últimas da época do antológico Aborto Elétrico), teve ainda uma versão para Primeiros Erros, com Kiko Zambianchi dividindo os vocais com Dinho. No mais tirando um certo constrangimento inicial de estar cara-a-cara com a platéia, o Capital fez um acústico bem rock´n roll, na medida pros fãs da banda. O programa será exibido dia 26 de maio, às 22:30, na MTV simultaneamente ao Lançamento do CD.

> Revista 89 Rock nº 16 > Maio de 2000

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Acústico MTV

Artista: Capital Inicial
Lançamento: Abril Music

O Capital acerta ao fazer um "Acústico MTV" despojado, apenas com violões, baixo, bateria e percussão, teclados e uma ocasional guitarra - a trapaça é de praxe nesse projeto. O repertório pleno de Hits, também é bem sucedido: "Música Urbana", "Independência", as recentes "O Mundo", "Eu Vou Estar", além de "Primeiros 
Erros" (Chove), que até a Simony gravou. Os convidados Kiko Zambianchi e Zélia Duncan são discretos o suficiente para não atrapalhar, assim como o público que viu as gravações. 

(M.V) Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Folhateen- Abril 2000 

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Folha de São Paulo
São Paulo, segunda-feira, 29 de abril de 2002 

Capital Inicial lança suas composições para o novo século

Viver de nostalgia é um perigo 
FERNANDA MENA
DA REPORTAGEM LOCAL 

Depois de reciclar seus sucessos dos anos 80 e de retransformá-los em hits com o álbum "Acústico MTV", o Capital Inicial volta a apostar no inédito com o lançamento, nesta semana, de "Rosas e Vinho Tinto".
O disco marca a saída do guitarrista Loro Jones e a entrada de Yves Passarell (ex-Viper), que pesa a mão nas cordas e confere vigor ao pop da banda.
Em pleno entusiasmo com a novidade, em entrevista ao Folhateen, Dinho Ouro Preto, 37, quer tocar a bola para a frente. Leia trechos da entrevista.



Folha - O Capital Inicial mudou depois do sucesso do "Acústico"?
Dinho Ouro Preto - Não quero que mude. Mas talvez esteja pirando ao achar que posso sair ileso dessa história. Muita gente achava que o disco seria um divisor de águas, que a banda ficaria mais romântica, mais adulta e mais popular. Foi a primeira vez que a gente teve contato com esse universo mega. Toco há 20 anos e nunca tinha vivido isso. É algo inédito para o Capital. Nem nos anos 80 tivemos tanto sucesso. Mas o Capital optou por se expor pouco. O maior perigo do sucesso é a superexposição. É estafar as pessoas porque a banda está em todos os lugares. A gente só se dava conta do que estava acontecendo quando pisava no palco em shows para 30 mil pessoas.


Folha - O sucesso de canções dos anos 80 incomoda você?
Dinho - Na verdade, a música que mais pegou a moçada foi "Natasha" e "Tudo o Que Vai", que são novas. Só depois que vieram as antigas: "Independência", "Fogo" etc. E isso é um alívio. Se fosse uma coisa puramente nostálgica, seria como dar um tiro no próprio pé. Quis que o Capital virasse essa página e apresentasse logo o disco novo. Viver de nostalgia é um perigo.


Folha - Tanto "Natasha" quanto "Quatro Vezes Você", desse disco, tratam de histórias de adolescentes. Por que voltar ao tema?
Dinho - A gente sempre fez historinhas. É quase uma tradição de Brasília, como "Eduardo e Mônica". Nesse disco, a gente quis contar uma história específica: a de que ninguém precisa se importar em ser diferente porque, de perto, todo mundo é esquisito. É adolescente, mas vale para qualquer idade. Nós entendemos o universo dos adolescentes porque somos adolescentes há muito mais tempo que eles. As coisas das quais você gosta quando é moleque acabam atravessando a sua vida inteira. Acho que é por isso que conseguimos abordar temas adolescentes com naturalidade.


Folha - Esse é o primeiro disco do Capital depois da saída de Loro Jones e da entrada de Yves Passarell. Como isso aconteceu?
Dinho - A saída dele se tornou pública há um mês, mas aconteceu em novembro do ano passado. Depois de um show em Porto Alegre, o cara simplesmente desceu do palco e falou: "Estou fora". A gente achou que era bravata, que ele voltaria, e demoramos a tornar pública a sua saída. Mas o Loro se mostrou determinado. Não tivemos dúvida nenhuma sobre quem entraria no lugar dele. O Yves não é um estranho à banda. Já tocou no Capital em 96 e também participou de alguns shows da turnê do "Acústico".


Folha - Qual a consequência dessa mudança?
Dinho - Em termos de composição, o Capital continua inalterado, o que é muito importante. Porém, em termos de gravação e de pegada, a entrada do Yves dá uma urgência e um nervosismo a mais na banda. Nossos shows sempre foram pesados, e trouxemos esse peso para a gravação. E isso só vem reafirmar a determinação do Capital Inicial em fazer rock brasileiro. A gente procura manter a simplicidade deliberada e o pé no chão. Nossas letras são sobre assuntos casuais. Talvez esse seja o motivo do apelo das canções para a moçada. Elas tratam de coisas cotidianas que nos dizem respeito e que, por extensão, podem dizer respeito a todos. 

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Jornal Estado de São Paulo
Segunda-feira, 29 de abril de 2002 


A adolescência eterna da banda Capital Inicial 
Com a carreira revigorada por um Acústico MTV, banda lança novo álbum, 'Rosas e Vinho Tinto', e reafirma o romantismo teen 

Divulgação 
Dinho Ouro Preto e seus parceiros do Capital Inicial, que lança novo disco: "A Tropicália era para universitários e nós, para os secundaristas" 

JOTABÊ MEDEIROS 

A boutade de Chico Buarque aplica-se como uma luva para essa banda de rock: você pode não gostar deles, mas se sua filha tem 15 anos, ela com certeza gosta. 

E, pelo jeito, vai continuar gostando. O Capital Inicial lança no início da semana mais um disco, Rosas e Vinho Tinto (Abril Music), e parece que vai repetir o sucesso do mais recente, Acústico MTV - Capital Inicial, que já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. 

O Capital Inicial, surgido em Brasília nos anos 80, é hoje uma das bandas brasileiras de maior êxito. Curiosa contradição: entre 1991 e 1998, dissolveu-se e não era citada nem em verbete de enciclopédia sobre o rock oitentista. Recuperada pela MTV, levou o público ao delírio no Rock in Rio (cerca de 250 mil na platéia), no ano passado, e voltou ao topo. 

A chave desse sucesso parece estar na figura do vocalista, Dinho Ouro Preto, de 37 anos, que também se mostra estupefato com o fenômeno. "Sou filho de sociólogos, então, tento explicar a razão disso", diz Dinho. "Talvez falte um artista para esse público, esses meninos que já não gostam da Xuxa, não ouvem Sandy e Júnior, mas também não gostam de coisas mais agressivas, como O Rappa e Planet Hemp", conjectura. "Talvez o Capital tenha encontrado seu espaço nesse nicho vago, quem sabe?" 

Talvez outra explicação seja a facilidade com que Dinho se projeta, como letrista, num "eu" adolescente, num discurso básico que fala de rejeição e deslocamento. Ele se diverte com a hipótese. "Me disseram uma coisa, acho que atribuída ao Eduardo Dusek, que é interessante", ele conta. "Perguntaram a ele por que se relacionava com tanta facilidade com adolescentes e ele respondeu: acho que é porque sou adolescente há muito mais tempo do que eles." 

De qualquer modo, continua Dinho, um provável "apelo teen" de sua música não é algo que já não estivesse contido no ideário do grupo em seu início. "Acho que se criou em Brasília, naquela geração, um conceito de simplicidade embutido em letras e música que, por sua vez, é atraente para os adolescentes." 

O "faça você mesmo" do punk rock, considera o cantor, tornava imprescindível o princípio da simplicidade para todos os garotos com bandas nos anos 80. 

"Vejo isso até como algo antagônico ao que foi à Tropicália, que procurava algo mais elaborado, os artistas tinham pretensões acadêmicas", pondera. 

"Era como se a Tropicália fosse bolada por universitários e o nosso negócio para secundaristas." 

Há também um dado interessante: garotas amam o Capital. Em grande parte, essa paixão repentina tem um nome: Natasha. É o nome de uma das canções recentes de maior sucesso do grupo, uma croniqueta sobre uma menina rebelde que se dá mal depois que foge de casa. "O mundo quer acabar e ela só quer dançar, dançar, dançar", diz a canção. 

"Quando fizemos o show no Rock in Rio, tínhamos vendido até então 300 mil discos e Natasha estava começando a tocar no rádio", conta Dinho. "Depois de Natasha, o disco vendeu quase 1 milhão", assombra-se o criador, extasiado com a criatura. "Virou um hino, principalmente das meninas adolescentes, uma espécie de catarse de libertação feminista, a coisa de fugir de casa, livrar-se dos pais." 

Dinho Ouro Preto olha para sua platéia e vê predominantemente garotos e garotas de 15 anos. Nem eram nascidos quando ele cantava Que País É Esse? em Brasília. Não se assusta com isso, a exemplo de Renato Russo, um dos ídolos pop nacionais que mais diretamente falou a essa faixa de público. Houve até uma circunstância, durante um show, em que o líder morot da Legião Urbana se queixou da condição de guru. "As pessoas acham que eu tenho respostas. Mas eu não sei a pergunta", disse Russo. 

Dinho, por seu lado, não sente que deva moldar o discurso com um direcionamento especial para esse público. "Eu não vejo isso como um fardo", considera. "Não funciona assim." 

Sobre o triunfante comeback, durante o Rock in Rio, ele lembra que - apesar da ovação - não foi algo fácil. "Nós estávamos em São Luís do Maranhão, e eu vi pela TV o que estava acontecendo com o Carlinhos Brown", recorda. "Eu pensei: vamos cancelar; me senti como um bicho indo para o matadouro." 

Inabilitado para adivinhar qual seria a reação do público, foi para o palco com os nervos na mão. "Ninguém poderia se sentir à vontade ali, precisaria ser um ególatra de dimensões bíblicas", considera. "Na hora, eu pensei: por que não sou dentista?" 

Mas não há nem o mais leve sinal da insegurança agora. Rosas e Vinho Tinto chega às lojas com pelo menos um hit já emplacado: À Sua Maneira (De Musica Ligera), uma versão de Dinho para um sucesso do grupo argentino Soda Stereo. 

E há também diversas parcerias de Dinho com Yves e Pitt Passarell (ex-integrantes da banda heavy Víper), Alvin L. e o parceiro mais próximo nesta retomada da carreira, o cantor e compositor Kiko Zambianchi. 


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